Juízes federais participam da Mobilização Nacional pela Valorização da Magistratura Nacional e divulgam manifesto

 

Os juízes federais, contando com a participação ativa de sua Associação (AJUFE), participam hoje (dia 26/8) da Mobilização Nacional pela Valorização da Magistratura Nacional e pela aprovação do Projeto de Lei nº 7.297, de 2006.

 

A finalidade dos magistrados é conscientizar a sociedade de todo o trabalho que vêm desempenhando para o cumprimento das atribuições previstas no art. 109 da Constituição da República. No entanto, atentos ao seu compromisso de bem servir à população brasileira, evitaram a todo custo a realização de paralisação e seguiram o caminho do diálogo e do entendimento, na busca de demonstrar ao Parlamento o seu direito constitucional à reposição inflacionária de seus subsídios.

 

Como, até o momento, esse diálogo se mostrou infrutífero, com sérios e irreparáveis prejuízos aos magistrados e, com certeza, aos jurisdicionados, os juízes federais apresentam o seguinte manifesto:

 

Manifesto pela Valorização da Magistratura Federal

 

                        “Como qualquer cidadão de um país democrático, o brasileiro também tem direito a um Judiciário que assegure o exercício da cidadania plena, efetivando os direitos previstos na Constituição e nas Leis. Poder Judiciário independente e eficiente é sinônimo de garantia de direitos.

                        A Constituição de 1988 trouxe uma série de novas responsabilidades aos Juízes Federais, como assegurar os direitos fundamentais, decidir questões ambientais, julgar os processos de tráfico internacional de drogas e os crimes de colarinho branco, proteger o contribuinte da tributação indevida e conceder aos segurados da Previdência Social os benefícios negados ilegalmente pelo INSS.

                        Os juízes federais reafirmam o seu compromisso de bem cumprir as responsabilidades atribuídas pela Constituição, mas fazem um alerta sobre as condições de trabalho necessárias para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.

                        Foram os juízes federais que propuseram o anteprojeto de lei que deu origem aos Juizados Especiais Federais e implantaram essa experiência de sucesso, que, de 2004 a 2008, pagou mais de 15 bilhões de reais em condenações judiciais, beneficiando quase 4 milhões de pessoas, em especial segurados da Previdência Social.

                        Acontece que o trabalho normal do juiz foi acumulado com as novas atribuições dos juizados e turmas recursais, sem que houvesse qualquer vantagem adicional. A esse acúmulo soma-se o histórico exercício de funções administrativas, cumprimento de plantões nos finais de semana e feriados e acumulação com serviço em outras varas que estejam sem juiz, tudo sem qualquer vantagem ou compensação, deferidas a diversas carreiras jurídicas, em especial ao Ministério Público.

                        As relevantes atribuições conferidas aos juízes federais, que muitas vezes implicam sacrifícios de ordem pessoal e ameaças à sua segurança e de seus familiares, demandam condições de trabalho adequadas, com remuneração compatível e formato de carreira atraente, para que os melhores quadros do serviço público e da iniciativa privada tenham interesse de se submeter aos difíceis concursos de ingresso.

                        No entanto, a realidade é outra, traduzida pelas constantes ações e omissões voltadas à desvalorização da carreira da magistratura federal. Destaque-se a não votação pelo Congresso Nacional, desde 2006, do Projeto de Lei nº 7.297, que estabelece a reposição anual das perdas inflacionárias sobre os subsídios dos juízos, conforme determinado pela própria Constituição. Inobstante existam recursos no orçamento, o projeto não é votado, vedando aos juízes federais a reposição das perdas com a inflação nos últimos três anos, o que é direito de todo trabalhador brasileiro.

                        Nesses últimos três anos, muitas outras carreiras do serviço público federal deflagram greves, em prejuízo à população, e conseguiram reposição da inflação e aumentos reais de 120%. Os Juízes Federais, atentos ao seu compromisso de bem servir à população brasileira, seguiram o caminho do diálogo e do entendimento, na busca de demonstrar ao parlamento o seu direito constitucional à reposição inflacionária de seus subsídios. Mais do que isso, se engajaram no cumprimento da meta nº 2 do Conselho Nacional de Justiça, para que todos os processos iniciados até 2005 estejam julgado até o final de 2009.

                        Infelizmente, até o momento, esse diálogo se mostrou infrutífero, com sérios e irreparáveis prejuízos aos juízes federais e, com certeza, aos jurisdicionados. A magistratura federal não mais aceita a invocação de argumentos como “a crise econômica” e o “momento político” para justificar a não votação do projeto.

Assim sendo, esperamos que o Congresso Nacional, atento às ponderações desse manifesto, vote urgentemente o PL 7.297/2006, cumprindo o que determina a Constituição Federal e contribuindo para a valorização do Poder Judiciário, na linha do que o Presidente da República ressaltou na solenidade de sanção da Lei 12.011/2009, que criou mais 230 varas federais: investir na justiça não é gasto e sim investimento.